Mulheres e meninas são estupradas a cada 9 minutos no Brasil, diz estudo

Mais de 29 mil casos foram registrados nos 6 primeiros meses do ano; Sudeste e Nordeste lideram denúncias

Por Redação
Publicado em 7 de dezembro de 2022 às 09:57
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Um estudo realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou que, no primeiro semestre de 2022, ocorreram 29.285 estupros no Brasil, representando um aumento de 12,5% em relação ao mesmo período do ano passado. A cifra significa que, a cada nove minutos, uma mulher ou menina foi estuprada no país.

Apenas entre janeiro e junho, 74,7% das vítimas eram consideradas vulneráveis, ou seja, incapazes de consentir. Os números de estupro são maiores no Sudeste e Nordeste, que registraram 10.458 e 6.376 casos, respectivamente. Em seguida, aparecem as regiões Sul (5.537), Norte (3.550) e Centro-Oeste (3.364).

Os números voltam aos padrões pré-pandemia (29.814), uma vez que durante o isolamento social dificultou o acesso às delegacias e demais serviços de denúncia e proteção, diminuindo os registros. Em 2020, por exemplo, as notificações chegaram a 25,1 mil, cifra que aumentou para 28 mil com o início da flexibilização sanitária, em 2021.

“O diagnóstico já feito anteriormente foi reiterado: estupro não é sobre desejo, é sobre poder. Sejam os crimes letais ou os crimes sexuais, é dramático pensarmos em uma sociedade que convive e naturaliza números tão alarmantes”, afirmam os autores do relatório.

Feminicídio

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta ainda que, nos primeiros seis meses do ano, foram registrados 699 casos de feminicídio, cenário que representa a morte de quatro mulheres por dia. O número é  3,2% superior ao contabilizado no primeiro semestre de 2021, quando 677 mulheres foram assassinadas.

As elevações mais acentuadas de casos no período foram registradas nos estados de Rondônia (225%), Tocantins (233,3%) e Amapá (200%), que aparecem entre os 16 estados que mantiveram os índices desde 2019 ou apresentaram algum tipo de crescimento nas estatísticas. No geral, a variação média no quadriênio foi de crescimento de 10,8%.

“Os dados mostram que a violência contra a mulher aumentou nos últimos quatro anos, ao mesmo tempo em que o investimento em políticas públicas foi deliberadamente reduzido, sobretudo em nível federal. É importante observar que o aumento de 10,8% nos feminicídios contrasta com uma série de outros crimes, como os homicídios em geral, que caem ano a ano desde 2018”, explica Samira Bueno, diretora-executiva da entidade.

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