Will Smith retorna às telas após a bofetada do Oscar

SBT News conversou com exclusividade com o ator na estreia de "Emancipation: Uma História de Liberdade".

Por Redação
Publicado em 8 de dezembro de 2022 às 17:47
...

“Emancipation: Uma História de Liberdade” é o novo filme de Will Smith e marca o retorno do ator às telas após o polêmico tapa que o ator deu no comediante Chris Rock, no Oscar deste ano. O longa estreia nesta 6ª feira (9.dez) no Apple TV+, foi dirigido por Antoine Fuqua (“O Protetor”, “Invasão a Casa Branca”, “Nocaute”) e quem assinou a trilha sonora foi o compositor brasileiro Marcelo Zarvos. Mas, a grande pergunta é: será que a superprodução vai aparecer na lista dos indicados ao Oscar 2023 diante da cena protagonizada na festa deste ano?

Na estreia mundial, Will Smith enfrentou os holofotes pela primeira vez após o Oscar, acompanhado dos filhos e da esposa Jada Pinkett Smith. 

O filme segue a receita que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas adora premiar. A saga de um personagem importante em um período doloroso da história americana. “Emancipation” conta a luta de Peter (Will Smith), um homem escravizado que vivia no estado da Louisiana, quando o presidente Abraham Lincoln assinou a Proclamação de Emancipação (1863), que libertava todos os escravos do sul do país. Mas, a liberdade não veio com a assinatura, teve que ser conquistada por Peter, que enfrentou dias e noites nos pântanos da região, cheios de jacarés, cobras e caçadores –  proprietários das plantações -, na tentativa de chegar às tropas lideradas por Lincoln. Um enredo que fala sobre uma fé inabalável, coragem e perseverança. 

O roteiro foi baseado em uma história real de um escravo fugitivo que teve suas costas chicoteadas fotografadas. A imagem publicada em todo o mundo se tornou símbolo da luta contra a escravidão americana.

De volta aos holofotes

Sorridente, Smith fez questão de falar com todos os jornalistas presentes, mas o assunto era apenas o filme. Perguntamos a ele se, de alguma maneira, se vê em Peter.

“Eu posso ver o personagem em mim agora. Quando você interpreta um personagem, você sempre pega um pedaço dele para você. E há uma energia incrível em Peter, uma fé colossal. Meu momento favorito do filme favorito é quando ele está no meio desse inferno, do pântano, perdido, sendo perseguido. Ele simplesmente para, levanta as mãos para cima, louva a Deus no meio do inferno. Uma gratidão por existir. Ele estava quase grato pelo sofrimento dele, sabe? Acho que foi a qualidade central, aquele nível de fé para ser capaz de cultivar a resistência, foi um dos maiores aspectos desse personagem. Algo que espero cultivar em mim mesmo”, contou Smith ao SBT News.

Filme é baseado em uma história real | Reprodução/AppleTV+

Indicações e prêmios, sim, mas sem festa

Este foi um ano difícil para Smith, que precisou se apegar a essa fé e gratidão.  Após agredir Chris Rock na cerimônia do Oscar, ao reagir a uma piada do comediante sobre sua esposa, Jada Pinkett Smith, que sofre de uma doença autoimune que causa queda de cabelo, Smith foi alvo de críticas e cancelamentos.

O tapa aconteceu pouco antes dele receber a estatueta de Melhor Ator por “King Richard: Criando Campeãs”. Smith teve contratos cancelados, projetos adiados e foi suspenso da cerimônia do Oscar por dez anos. Não pode participar de nenhum evento da Academia, porém nada o impede de ser indicado ao Oscar, ganhar o prêmio, mas não pode ir recebê-lo na festa.

“Emancipation” chegou a ser adiado para 2023, mas o Apple TV+ voltou atrás e resolveu lançá-lo neste ano justamente na época dos lançamentos que visam às principais premiações e faz campanha em diversas categorias do Oscar, inclusive Melhor Ator para Will Smith.

Se “Emancipation” for indicado à categoria de Melhor Filme, Smith também concorre à estatueta, já que é um dos produtores do filme.

Brasileiro no Oscar

“Emancipation” também pode levar um brasileiro à estatueta. O compositor paulista Marcelo Zarvos assina a trilha sonora do filme e nos contou como as raízes e a história brasileira o inspiraram na hora de escrever as músicas para o novo longa de Will Smith.

“Foi um filme que eu consegui trazer muita coisa do Brasil. O primeiro instrumento que você ouve na trilha é o berimbau. Eu expliquei para o diretor (Antoine Fuqua) o que o berimbau significa, um instrumento de luta, de rebelião. A gente o usou bastante junto com muita percussão africana também”.

O músico contou que ainda nem acredita que participou de um filme deste tamanho e que agora está inscrito para concorrer também ao Oscar na categoria de Melhor Trilha Sonora. Para Zarvos também foi uma surpresa quando soube da cena protagonizada por Smith na cerimônia do Oscar. Na época eles já estavam trabalhando em Emancipation.

“Eu fiquei chocado como todo mundo ficou. Mas, eu estava pensando no personagem mais do que no ator, tentando deixar o barulho para trás. Acho que essa história é tão maior do que aquilo que aconteceu que as pessoas vão ver isso e sentir a dimensão e quão importante é”, contou Zarvos.

© SDC - Todos os diretos reservados.