Cannabis medicinal em tratamentos de pessoas com Transtorno do espectro autista (TEA)

Estudos apontam que uso de Canabidiol Full Spectrum pode melhorar sintomas do TEA como agressividade e auto-agressividade, agitação e sono

Por Bruna Dutra
Publicado em 24 de janeiro de 2023 às 11:42
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O uso da cannabis medicinal para o tratamento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode trazer uma série de benefícios que proporcionam qualidade de vida. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que no Brasil uma a cada 160 crianças, está inserida no espectro do autismo.   

Pessoas com TEA podem apresentar comprometimento na comunicação e interação social, associado a padrões de comportamento restritivos e repetitivos. Além disso, costumam ter dificuldade em manter o contato visual, identificar expressões faciais e compreender gestos comunicativos, expressar as próprias emoções e fazer amigos. 

Segundo um estudo do Real life Experience of Medical Cannabis Treatment in Autism: Analysis of Safety and Efficacy, realizado em parceria entre o Centro Médico da Universidade Soroka, a Universidade Hebraica de Jerusalém e o Tikun Olam Ltd, os testes com cannabis medicinal feitos em 188 pessoas dentro do espectro autista, trouxeram resultados satisfatórios.

Após 6 meses do início do estudo, 155 pacientes ainda se encontravam em tratamento ativo. Destes, 93 passaram por uma avaliação global e os resultados foram: 28 pacientes (30,1%) relataram melhora significativa nos sintomas; 50 pacientes (53,7%) relataram melhora moderada nos sintomas; 6 pacientes (6,64%) relataram melhora leve nos sintomas; 8 pacientes (8,6%) relataram não ter percebido qualquer alteração nos sintomas.

O médico Pediatra e Neuropediatra Flavio Geraldes explica que as opções terapêuticas de primeira escolha passam pelas medicações antipsicóticas, que pode gerar efeitos colaterais importantes, como importante ganho de peso e síndrome metabólica, pouco toleradas pelos pacientes, e muitas vezes levando a interrupção do tratamento.

“A utilização de medicamentos à base dos ativos da cannabis tratam-se de moléculas que realizarão um processo de retro regulação do sistema endocanabinóide, e por isso, sua titulação deve ocorrer de maneira lenta e gradativa, já que busca controlar os sintomas alvo, principalmente as comorbidades”, explica.

Segundo Fabrízio Postiglione, CEO da Remederi, farmacêutica brasileira, com o propósito de promover qualidade de vida por meio do acesso a produtos, serviços e educação sobre a cannabis medicinal, o uso dos ativos da planta tem como objetivo proporcionar bem-estar ao paciente, oferecendo um método de tratamento inovador.

Por fim, o executivo ressalta a importância de encontrar um profissional qualificado que possa indicar a melhor forma de tratamento. “Hoje, a quantidade de médicos prescritores que vem se capacitando para atender a demanda de pacientes que podem ser tratados através desses métodos vem crescendo. É fundamental que ambas as partes conheçam sobre o tema para que seja estabelecida uma relação de confiança, que garante um tratamento eficaz e seguro”, diz.

Fonte: Assessoria/Remederi

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