Ex-ministro de Bolsonaro muda versão sobre caso das joias

Em depoimento à PF, Bento Albuquerque tenta blindar ex-presidente e diz que peças eram "presentes de Estado", e que não sabia o destino final das mesmas. Explicação contradiz declarações anteriores.

Por Jornalismo
Publicado em 16 de março de 2023 às 15:57
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O ex-ministro de Minas e Energia do governo de Jair Bolsonaro, Bento Albuquerque, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (14/03) sobre o caso das joias milionárias suspeitas de serem presentes da Arábia Saudita ao ex-presidente e a sua esposa, Michelle Bolsonaro.

Bento Albuquerque contradisse suas próprias declarações e negou que tivesse conhecimento sobre o destino final das peças, numa provável tentativa de proteger o casal Bolsonaro. O conjunto das joias foi avaliado em cerca de R$ 16,5 milhões de reais.

Em depoimento de mais de uma hora à PF por videoconferência, o ex-ministro e ex-almirante da Marinha afirmou que as joias seriam “presentes de Estado” entregues por uma autoridade do governo saudita à comitiva chefiada por ele, pouco antes do retorno ao Brasil.

Segundo o advogado do ex-ministro, ele alegou que os presentes não foram abertos até a chegada do grupo ao aeroporto de Guarulhos, e que em nenhum momento foi informado de que as joias seriam para o ex-presidente ou para Michelle.

O depoimento contrasta com o que foi dito pela defesa de Bolsonaro e por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, segundo os quais as joias deveriam ficar no acervo pessoal do ex-presidente.

A explicação de Bento Albuquerque também contradiz sua própria declaração aos fiscais da Receita Federal no dia da apreensão das joias em Guarulhos, registrada em uma gravação divulgada na imprensa de um vídeo do circuito interno do aeroporto.

Na imagem, o ex-ministro aparece dizendo que “isso tudo vai entrar lá pra primeira-dama”. Seus advogados dizem que esta teria sido somente uma suposição por parte de Bento Albuquerque, ao tomar conhecimento do conteúdo do pacote.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Bento Albuquerque havia afirmado que o segundo pacote, que continha um relógio de valor estimado em ao menos R$ 400 mil, entre outros itens, era para Bolsonaro. Ele admitiu que passou pela alfândega sem declará-lo e que só o abriu após chegar em Brasília.

O ex-assessor de Albuquerque Marcos Soeiro, que foi pego com joias em sua mochila ao desembarcar em São Paulo, também prestou depoimento.

No dia em que a delegação retornou ao Brasil, Soeiro disse não ter nada a declarar ao passar pela alfândega, mas um fiscal solicitou que ele colocasse sua mochila no raio-x, onde foram detectadas as peças.

Fonte: DW Brasil

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